Deputado Murillo Gouvea aparece em último lugar em ranking, mas contexto político levanta questionamentos sobre ataque orquestrado
O deputado federal Murillo Gouvea (União Brasil-RJ), filho do ex-prefeito de Itaperuna, Alfredão, apareceu na última colocação entre os parlamentares do estado do Rio de Janeiro na Câmara dos Deputados, segundo dados divulgados recentemente pelo Ranking dos Políticos, uma plataforma da sociedade civil que avalia o desempenho de senadores e deputados federais em todo o Brasil.
De acordo com o site oficial do ranking, os critérios de avaliação incluem o combate a privilégios, desperdício de recursos públicos e corrupção, além da análise do alinhamento com pautas ligadas à eficiência da gestão pública, liberdade econômica e transparência. No entanto, a falta de clareza sobre a metodologia adotada e a origem dos dados utilizados levanta dúvidas sobre a lisura do processo e a real representatividade do posicionamento atribuído aos parlamentares.
A publicação dos dados foi feita por um blog local de Itaperuna e repercutiu rapidamente na cidade. O que chama a atenção, no entanto, é o timing político e o tom da matéria, que parecem ter como objetivo desgastar a imagem do deputado junto à população itaperunense — algo que remete diretamente a episódios ocorridos há três décadas.
Nos anos 1990, o ex-deputado federal José Egydio Tinoco também sofreu ataques semelhantes promovidos pelo mesmo grupo político que hoje está no poder em Itaperuna. Na época, os ataques culminaram no esvaziamento da representação federal da cidade em Brasília por mais de 30 anos, período em que o município perdeu inúmeras oportunidades de desenvolvimento econômico. Fábricas importantes como a CAPIL e a Fábrica Boechat deixaram de operar, o que contribuiu para o crescimento da miséria, da violência urbana e do desemprego.
Esse vácuo de poder contribuiu diretamente para o avanço do narcotráfico organizado na cidade, além do crescimento preocupante da população em situação de rua, reflexo do abandono social e econômico enfrentado pelo município.
Curiosamente, o atual representante estadual — ligado ao grupo político que se beneficiou do esvaziamento anterior — atribui o aumento do consumo de drogas ao surgimento de duas universidades no município, culpando os estudantes pelo aumento no consumo de drogas, culminando no avanço da criminalidade. No entanto, o mesmo grupo foi responsável por instalar o que muitos chamam de uma “universidade do crime” real: o presídio de Itaperuna, cuja presença é apontada como um fator-chave na expansão das facções criminosas na região.
Em contraposição direta a essa narrativa, o deputado Murillo Gouvea impediu recentemente a instalação de um presídio federal de segurança máxima na cidade, decisão que contou com apoio de diversos setores da sociedade civil, preocupados com a imagem e a segurança do município.
🔍 Análise política: as incongruências de um discurso que se repete
A tentativa de deslegitimar o mandato de Murillo Gouvea por meio da divulgação de rankings pouco transparentes repete um padrão de ataques já usado no passado — e cujos resultados foram desastrosos para Itaperuna. A cidade perdeu três décadas de representatividade federal, viu suas indústrias partirem e mergulhou em um ciclo de violência e abandono.
Enquanto o deputado é atacado por sua colocação em um ranking questionável, medidas concretas e recentes, como a rejeição à instalação de um presídio de segurança máxima, são ignoradas pelos mesmos que culpam estudantes pelo tráfico, mas silenciam sobre a instalação de presídios por seus próprios aliados.
Essa narrativa revela incongruências gritantes: a criminalização do conhecimento (representado pelas universidades) contrasta com o silêncio sobre ações que potencializaram a criminalidade (como o presídio). E mais uma vez, a população corre o risco de ser manipulada por um discurso que prioriza o jogo de poder em vez dos interesses do município.
Com a proximidade das eleições de 2026, cabe agora ao eleitor itaperunense enxergar além dos números frios e da retórica política: o que está em jogo não é apenas a reputação de um deputado, mas o futuro da cidade.

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